Páginas

Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Quando o Natal faz sentido

“Eu odeio o Natal”. Já ouvi a frase de gente jovem e mais velha, entretanto tenho as melhores razões para não pensar assim. Para mim, a data é motivo para reunir toda família em volta de uma mesa farta, ouvir histórias, encher o coração de alegria, pois é o Natal que completou a formação da Sagrada Família. Naquela noite de 25 de dezembro Maria e José receberam o menino Jesus, com muitas dificuldades, mas com uma luz que marcou o início de grandes mudanças no mundo.É assim quando as crianças vêm ao mundo, independente das circunstâncias, elas levam ou deveriam, muita luz a quem tem a missão de cuidar delas. Tudo isso faz do Natal a data mais especial para as famílias.

Porém, eu entendo porque alguns odeiam o Natal. As razões também estão na celebração familiar, mas de uma forma diferente. Com o tempo algumas pessoas são levadas daqui, lugares a mesa da ceia ficam vazios, aquele nome não vai ser tirado no amigo oculto mais, a descrição para que descubram quem é que vai ganhar o presente da vez vai para outro momento, o das recordações. E não adianta ninguém dizer que é clichê falar que nessas datas a saudade fica mais forte, quem já perdeu alguém sabe como as lembranças ficam mais intensas nestas épocas.

Nos últimos anos minha família começou a ter que conviver com esses vazios, mas o Natal continua a ser uma data bonita. É exatamente a força encontrada no outro, a chegada de mais crianças, que nos faz continuar.Por mais tristes que tenham sido alguns momentos durante o ano, o Natal ainda é especial. Assim, eu tenho certeza de que o dia 25 para quem não tem quem encontrar, ou para aqueles que veem muitos lugares vazios, principalmente sem a renovação, é mesmo triste, e seria para mim também.

Existem ainda os que dariam tudo para que o dia 25 fosse uma data comum porque dizem não gostar de festas familiares. Pessoas assim não têm a sorte de ter descoberto na família amigos, alento, motivo para festa. Estes nunca vão saber mesmo que o dia é especial, como as outras datas que só fazem sentido se celebrarmos com quem amamos.

Sobre o texto: 

Publicado no caderno especial de Natal do Jornal Agora e inspirado na melhor família do mundo, a minha. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

De coração

Minha mãe tinha um gosto parecido com o meu para decoração. Tanto que eu nunca errei quando dava peças decorativas de presente. Quando eu escolhia perfume, roupa, o risco de ela não usar era enorme. Mas o anjo foi direto para o aparador e está lá até hoje, o Pezão, uma escultura de um homem com pé avantajado, só saiu do lado da vitrola quando quebrou.

Com os meus irmãos era diferente. Uma vez escondi um porta-retrato de gosto duvidoso dado por um deles. Minha mãe não reclamou, não voltou o porta-retrato para o lugar; confessou que também não gostava, que a peça só estava ali para não decepcionar os meninos.
A melhor companheira canina

Porém, uma vez ela errou feio. Colocou um cão de plástico pequenininho virado para a TV, não tem nem cinco centímetros, mas destoa de todo resto. Eu podia jurar que o brinquedo estava no rack por engano. Falei em tom de brincadeira que iria guardar, minha irmã concordou, mas minha mãe... Ah, ela não aceitou, soou como uma ofensa. Disse que nunca podia deixar nada do jeito dela na própria casa. E para me desarmar de vez falou que aquele cachorrinho era a Keka, uma cadelinha que era o xodó da casa e havia morrido há um tempo. Eu e minha irmã concordamos, porém foi impossível conter o riso. A Keka era uma yorkshire de três quilos, o cão de plástico era um cachorro de caça americano e até usava chapéu. A única semelhança era o hábito de assistir TV conosco. Até macho o cachorrinho era.

Toda vez que eu e minha irmã sentávamos no sofá começávamos a rir e o único comentário, quando minha mãe estava ausente, claro, era: É, a Keka. E saber que o cachorrinho foi chegar lá em casa por engano, meu pai juntou vários objetos e mandou em uma caixa pelo correio, ele veio no pacote e nunca foi tão amado pela minha mãe. Era como se fosse um cachorrinho que caiu da mudança.

O tempo passou e minha mãe se foi também. No dia seguinte a despedida, fizemos o mesmo comentário, porém sem nenhum riso. Não tivemos coragem de tirar a Keka dali, o cão de caça não lembrava apenas uma yorkshire mais, carregava momentos com minha mãe, simples, porém que eram nossos com ela. Também não tivemos coragem de desobedecê-la. O cão de caça americano tornou-se a peça mais cheia de significado da nossa decoração e nunca irá sair de frente da TV!

Sobre o texto:
Publicado no caderno especial de decoração do Jornal Agora. Estava guardado, na minha pasta de crônicas inéditas e quando fui revisar as matérias vi que era o momento de publicá-lo. Gosto de escrever sobre o que desejo que nunca se vá, mesmo com as leis da vida. E aí está. 

Outros posts sobre minha mãe e de pessoas que são eternas: