sábado, 6 de junho de 2009

Única morte possível

Ela se foi...
Voinha Maria foi levada do único jeito que justificaria sua partida. Era evidente que os olhos, os gestos, o corpo e tudo o mais eram a extensão daquele que não conseguia guardar tanta bondade sozinho.

Eu reconheci nela uma avó, queria aquele amor, aquelas palavras, aquele olhar, afinal o coração dela era muito grande e me acomodaria também, né???
Não, não era. Era pequeno demais para tanta humanidade, por isso transbordava nos olhos, pulsava nas mãos... Os batimentos cardíacos estavam em toda parte, porque voinha era toda coração.

Ainda bem que reconheci na Maria uma avó. Ainda bem que ela me acolheu como neta.
Com ela se foram conversas sem fim, almoços, desabafos, risadas e é o que ficou comigo também.

Não eram laços sanguíneos, Maria era da família por adoção, porque meu coração pediu.
Não estranho a forma como Deus veio buscá-la, Maria só poderia morrer de infarto do miocárdio, pois tudo nela era coração.

sábado, 18 de abril de 2009

Que venham os anos loucos

22 é considerado o número da loucura, sei disso há tempos, mas nunca procurei saber porquê. Porém com a proximidade do meu niver de 22 anos,não me contive... Mesmo com 1 milhão de assuntos acadêmicos a serem pesquisados para trabalhos de fim de semestre, joguei no google e eis o que encontrei -

"A carta nº 22 do tarot é a do louco, representa o não iniciado, aquele que não compreende o mundo em que vive.

É o começo e o fim. Indica algo que está para ser iniciado mas ainda está sem rumo. Em matéria espiritual, o Louco significa idéia, pensamento, espiritualidade, comportamento que transcende a matéria. Do ponto de vista material, pode significar, se mal dignificada, loucura, mania, idéias excêntricas ou ações arriscadas. O essencial da Carta é que ela representa um impulso ou impacto primordial,imprevisto e original, aparecendo de forma inusitada e inesperada."


Louco, né???
Agora entendi o significado de 22 como loucura, entretanto surgiu outra dúvida:

Essa idade será a continuidade do que vivo, a intensificação do que já acontece ou surgirão outros tipos de loucura?

Idéias excêntricas ou ações arriscadas já são características marcantes, como pode atestar meu amigo Pedro Palhares.

Mas pouco importa... Anormal é aceitar uma vida monótona, sem emoção, não arriscar, viver na normalidade não é algo bom, não é algo ruim... Não acontece nada de extraordinário - acorda, come, trabalha, estuda, dorme... Nada mau, nada bom!

Para os loucos - acorda, come, trabalha, estuda, dorme, não necessariamente nessa ordem. A vida taí pra isso: fugir do que já sei, ter uma vida genuinamente minha.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O óbvio

Para começar, seja gentil, não me faça perguntas óbvias.

Perguntaram:
O que você fará da vida????

Não posso dizer como será uma vida que vou levar daqui há 10, 20, 30 anos ou daqui há um dia. Como vou me sustentar??? Onde morarei, se terei filhos ou não. Não complique as coisas.
Sei lá, talvez a única resposta possível seja que viverei.
Afinal, o que fazer da vida???? Viver....
Como diria Jhon Lennon: "A vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos" Sou obrigada a concordar com, pois de vez em sempre me deparo com fatos jamais pensados que mudam todo meu planejamento vital.
É preciso muita intuição e sorte para que o caminho que traçamos seja o que irei percorrer, ainda mais que a cada instante mudo a rota que outrora eu queria seguir.
Definitivamente: vou viver com sonhos, mas sem planos. Arquitetar o meu futuro é muita pretensão. Conseguir viver para além das exigências básicas de subsistência já fará com que essa minha estada aqui não seja em vão.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Juras eternas

Na saúde ou na doença,
Na riqueza ou na pobreza,
Na alegria ou na tristeza,
Até que a morte os separe!!
É quando consagro uma amizade que vou proferir tais juras! Acredito muito mais no amor de amigos do que no amor, tantas vezes fulgaz dos amantes.
Amigo não te quer como propiedade, não precisa de morar na mesma casa que você.
Se deveras for meu amigo posso ficar anos sem te ver, mas sei que posso contar contigo e sempre estenderei a mão se precisar.
Amizade é para a vida toda, do contrário não é.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Viver em um instante!

Esse fim de ano não quero promessa; nenhuma. Não quero lista de coisas que conquistei em 2008...

Traço mil planos e construo mil castelos imaginários, mas acho que não é assim que a vida é.

Últimos dias de 2008 e me vem um desejo, despretencioso...

Quero viver um dia de cada vez, sem promessas, sem expectativas, porque a vida se realiza em um instante!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um detalhe

Dias estranhos, esquisitos.... Um desânimo, um "eu sei o que tenho que fazer, mas não ajo".

Pois é.... De repente fiz um milhão de planos, coloquei o carro na estrada, ter 2 filhos, fazer um curso de qualquer coisa para sei lá o que.

Tenho vivido dias muito estranhos. Meu quarto é uma confusão contínua, não acho nada nele, nem eu mesma, o estágio tem sido bom, desafiante, estress.... A vida acadêmica nem comento...

É de vez em quando eu fico assim, com vontade de ficar no quarto bagunçado e me digo sempre que não podia ser nada desse jeito. Eu tenho é que viver.

Num repente, num piscar de olhos vem aquela notícia repetitiva que nunca nos acostumamos:

"Ele faleceu nessa madrugada, aneurisma"
"Como assim?40 e poucos anos, tava lá em casa praticamente todos os dias, meu primo, primo e amigo do meu pai e minha mãe. Não pode ser..."

Pode e é. Como fala Marta Medeiros em uma de suas crônicas:
A morte é uma piada. Uma piada sem graça.... Planos, sonhos, o minuto seguinte em 1 segundo barrado por um acidente de carro, um aneurisma, um câncer, um sei lá o que que ela inventou só como desculpa para buscar a gente com um hora que foi marcada desde nosso nascimento. E eu aqui angustiada, triste.... sem viver.

Doer? Tá doendo, uma dor que não se explica, que já experimentei outras vezes e que não passa, mas se esconde disfarçada em lembranças e saudade....

E a literatura salva outra vez, dizendo ACORDA TALITA:

" MORRER É APENAS UM DETALHE,
HORRÍVEL É NÃO VIVER"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ilhada, imersa no meu eu

Tenho uma lista de aproximadamente 250 coisas a fazer. Mas não vou resistir a um post básico que está na minha mente há dias... Então vamos lá!

Sou aquele tipo de pessoa que fica louca se não tiver uma companhia para sair. Me recuso a um cinema sozinha, comer só. Isso me leva a frustações constantes porque amigos por mais que sejam amigos sempre terão a vida deles , também não sou diferente tem coisas que não dá para ter pessoas ao redor.

E namorado? Como diria Drummond é a mais difícil das conquistas, é preciso saliva, advinhação e um bocado de sorte.

Qualquer um que ler isso aqui deve achar que me lamentarei até o fim, porém é exatamente o contrário. Segunda-feira não tive aula na facú(que maravilha!) e combinei com um amigo de irmos ao Indie no Palácio das Artes. Ambos foram, no entanto por eu ser um tanto quanto lerda me atrasei e não conseguir chegar no horário. Como se tratava de um filme minha companhia foi a sessão e eu fiquei vagando pelo Palácio, foi aí que tudo começou a mudar...

Há tempos não via uma exposição de arte sozinha e tinha me esquecido do quanto isso era proveitoso. Contemplei cada obra de Francisco Brennand, um nordestino porreta, que trabalha com escultura, pintura e desenho. Viagei no espelho colocado ao fundo do salão que dava uma idéia de infinito, fiquei completamente imersa naquele espaço. Se tivesse alguém ao meu lado tenho certeza que não teria visto as coisas como as vi, minha imaginação seria cortada com um comentário e eu exporia minha visão também.

Continuei a vagar pelo Palácio. Vi que ali havia uma livraria... Tá eu já sabia que ela existia, porém sequer tinha notado a roda de bicicleta parecida com aquela obra dadaísta. Percebi a música gostosa convidativa e entrei na livraria.

Difícil não me seduzir por livros e discos! Cai em tentação, comprei "Doidas e Santas" da Marta Medeiros e mais um imã do Chico e um do Cazuza.

Já estava tarde e eu sem companhia tive que ir embora. Foi bom perceber que estar comigo em um programinha assim às vezes vale a pena.

Obs: Continuo gostando de estar sempre com alguém